
Só me apetece gritar, chorar, arrancar, sei lá!
Eu sei que o pior já passou, mas não é pelo facto de estar curada que bato as palminhas e deixo de ter sensibilidade.
Sofro. A dor física atormenta-me. Sei que há muitos que sofrem mais do que eu e lamento por eles, mas a minha dor eu sinto no meu corpo.
Já não sei onde pôr o braço. A costura arrepanha por todo o lado. Nem posso pensar que tenho de ir fazer o penso. Tirar o líquido introduzindo a agulha na costura é penoso. No início não foi, mas agora já sinto! Nem quero pensar que tenho de lá voltar.
E 50 pontos?!
Sem me tocarem a costura já me dói tanto…
Só de estar deitada, o corpo estica-se e sinto a costura toda a repuxar. Estou com sono mas às 2.30 da manhã tive de tomar um comprimido para as dores. Às 3 levantei-me. Sentada não me dói tanto.
Eu sei que são sofrimentos mínimos, mas são meus e não os consigo ignorar.
Deixem-me chorar!
Deixem-me ser piegas. Ao menos em casa quando estou sozinha, deixem-me chorar! Não me cobrem sempre boa cara e boa disposição (representar também me cansa).
Deixem-me chorar as minhas mágoas. Deixem-me exorcizar os meus desgostos e as minhas mágoas. Não se orgulhem de mim, nem me admirem. Eu também sofro!
Quero ser confortada em vez de confortar. Quero ser apaparicada e abraçada.
Não quero que me digam mais “o pior já passou”. Deixem-me sentir os meus medos!




















