sábado, abril 11, 2009

Às vezes apetecia-me...

Pegando no comentário do Carlos Acciolli "andas desaparecida?" como mote, constato que mais uma vez não ando nos meus dias...
Ao contraário de tudo o que imaginava, Agosto 2007 marcou uma fase na minha vida.
Ao contrário de tudo o que imaginava, Agosto 2007 marcou mais a minha vida do que Junho 2008.
Com o passar dos dias, o peso de cada data é bem mais sentido, efectivo e marcante.
Um é um estado de sofrimento permanente, que me mudou para sempre. A Lena de Antes de 20 de Ago 07 não é definitivamente a Lena de Depois de 20 de Ago 07.
A Lena de 13 Jun 08 é a última tentativa de manter a Lena de antes de 20 de Ago 07 viva, mas é muito difícil...
Por muito que todos me vejam, ninguém me vê como eu sou agora.
Por muito que convivam comigo, falem comigo, estejam comigo ou mesmo que me amem, ninguém me vê dorida, angustiada, desesperada e revoltada.
Eu sei que a minha capa consegue esconder quase sempre esta Lena, mas... por trás do sorriso, do tudo bem... fica a realidade. O que os outros sabem que existe, mas como vêem que eu estou a conseguir andar em frente (diria melhor, passar os dias) evitam aprofundar e vão também ajudando a fingir que está tudo bem.
E eu vou-me refugiando nos momentos bons da vida (que sorte ainda ter alguns), fazendo planos para enganar este "passar de tempo" em que estou mergulhada, dando uma boa golfada de ar para encher bem os pulmões e aguentar até à próxima oportunidade.
Agora ando entretida com a minha Pipoca. Dia 20 vai fazer 18 anos!
Queria dar-lhe algo que marcasse esta data para sempre. (a minha mãe deixou-me fazer a minha 1ª festa na garagem, já lá vão quase 30 anos e eu não me esqueci)
Tentar fazer uma extrapolação de 30 anos, não é fácil, apesar de educar a Leonor com valores e perspectivas diferentes das que os amigos têm; 30 anos, são 30 anos! e se nestes 30 anos aconteceu!!! mudou o século, mudou o milénio... mudei eu!
Agora, quando olho para trás e penso em tudo o que guardei ou guardava de recordação, nas gavetas, em caixas, etc.
Que futilidade...
As minhas maiores recordações estão guardadas no coração:
. O meu 5º aniversário (1º que o meu pai passou comigo, pois coincidiu vir de viagem nesse dia e até me trouxe um bolo de chocolate)
. A minha avó com 70 anos dizer que o meu avô fez a tropa no Castelo de S. Jorge e eu perguntar-lhe se ela não tinha medo que as sopeiras lisboetas lho roubassem e ela de pé, colocar as mãos nas faces do meu avô e com o olhar mais carinhoso do mundo responder: "Não, que nessa altura ele não era tão bonito como é hoje!"
. O cheiro a goma das minha mãe a passar a ferro os barretes do meu pai.
. A pressão do roupão na minha cara quando fui visitar de surpresa a minha mãe ao IPO.
. Acordar momentaneamente da anestesia, ver a minha filha nos meus braços", olhá-la pela primeira vez e dizer: "Tem as pestanas iguais às do avô";
. Todas as habilidades e gracinhas dela, até HOJE.
. O primeiro abraço do Carlos.
. O namoro "louco" com o Carlos
. O arco-iris que o Carlos é na minha vida.
. Conseguir fazer uma carícia no rosto do meu pai segundos antes dele falecer
. (...)
Felizmente tenho tantas, tantas recordações... por isso quero que a Leonor também um dia, quando fizer uma lista das recordações que guarda no coração; eu esteja em muitas delas e que uma seja a festejar o 18º aniversário dela em Londres!
Já só falta uma semana para embarcarmos e é o segredo mais bem guardado do mundo! penso eu!
Agora já estou mais animadita, vou fazer um Caril de frango para o almoço e depois organizar os papeis do IRS.
Até à próxima "fossa"