quarta-feira, setembro 05, 2007

Por isso estou tão dorida!


“A mama também tem vasos linfáticos, que transportam um líquido límpido - a linfa. Os vasos linfáticos terminam nuns órgãos pequenos e arredondados - os gânglios linfáticos. Encontram-se grupos de gânglios linfáticos perto da mama, nas axilas (debaixo do braço), acima da clavícula, no peito (atrás do esterno), e em muitas outras partes do corpo. Os gânglios linfáticos "prendem" e retêm bactérias, células cancerígenas, ou outras substâncias malignas, que se podem encontrar no sistema linfático. Quando as células de cancro da mama entram no sistema linfático, podem ser encontradas nos gânglios linfáticos próximo da mama (regionais).”

Não sei quantos gânglios linfáticos tem uma mama, mas a minha ginecologista explicou-me que actualmente a classe médica defende esta teoria:

“A presença de gânglios axilares metastizados continua a ser o mais importante factor de prognóstico do cancro da mama. Para além do estadiamento, o esvaziamento ganglionar axilar tem uma função curativa, que se traduz pela remoção cirúrgica das metástases ganglionares.
No entanto, o esvaziamento axilar não é isento de riscos.
Têm sido relatadas taxas de morbilidade que atingem os 40%. Uma das complicações mais graves é o linfedema (cuja incidência pode atingir os 30%), mas outras podem surgir, como parestesias do braço, disfunção do ombro, dor do membro superior, etc.
Além disso, as mais recentes decisões de consenso para o cancro da mama (CM) usam outros factores de prognóstico, como o tamanho do tumor, o grau de malignidade ou a fracção de fase S como base para o tratamento adjuvante sistémico.
A análise retrospectiva permite-nos verificar que 40-60% dos esvaziamentos ganglionares são “negativos” (ou seja, não se observa a existência de gânglios metastizados) e, portanto, podem ser considerados desnecessários.
O gânglio sentinela (GS) define-se como o primeiro gânglio de uma região ganglionar a receber a drenagem linfática de um tumor primário.
A maioria dos investigadores tem sido capaz de identificar o GS em mais de 90% dos doentes estudados. A percentagem de “falsos-negativos” (quando o GS não está metastizado e há outros gânglios axilares metastizados) varia entre 0 e 6%. Existe uma curva de aprendizagem; a eficácia da técnica melhora com a aprendizagem e o treino.”

Eu sei que esta informação é chata, mas viram bem os números? Estatística!
. 40-60% dos esvaziamentos ganglionares são “negativos”
. tem sido capaz de identificar o GS em mais de 90% dos doentes
. “falsos-negativos” (quando o GS não está metastizado e há outros gânglios axilares
metastizados) varia entre 0 e 6%
Eu pergunto:
. e se eu pertencer aos 60-40% “positivos”?!
. e se eu pertencer aos outros cerca de 10%?!
. e se eu pertencer aos 0-6%?!

Foi o suficiente para eu ter decidido optar pela mastectomia radical modificada.
Retiraram-me 15 gânglios no dia 20. Hoje é dia 3 e estou ainda muito dorida. Segundo o médico, afastaram-me costelas para me retirarem gânglios, “escarafuncharam-me” a axila e o braço para me retirarem gânglios…
Sadismo?
Não! Precaução.
Se não me retirassem tantos gânglios, iria fazer 20 a 40 sessões de radioterapia…

3 comentários:

sei lá eu disse...

Se queres que te diga, até porque sou muto honesta ;), perdi-me ai a meio de qualquer coisa parecida com isso que estavas a dizer...
mas assino por baixo!!! CORAJOOSSAAA!!! :D

Adorei ver-te e estar contigo :D

Beijões valentões aos milhões
Plim***

sei lá eu disse...

Ehh pá...agora é que vi...

mas sabes que sou eu né? :D
ou preciso falar nos lambidos repenicados?? mauuuu vamos lá ver a conversa...

2ndChance disse...

não sei eu outra coisa...
adoro-te fininha...